O que é Bitcoin? Um guia simples para quem está começando do zero

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O Bitcoin é uma forma de dinheiro digital que nenhum banco ou governo controla. Ele funciona em milhares de computadores espalhados pelo mundo, que mantêm um registro compartilhado de quem é dono de quê. Este guia explica como ele funciona, por que as pessoas o usam e o que pode dar errado.
De onde veio o Bitcoin
Em outubro de 2008, uma pessoa ou grupo usando o nome Satoshi Nakamoto publicou um artigo curto chamado "Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System" (Bitcoin: um sistema de dinheiro eletrônico ponto a ponto). A ideia era permitir que as pessoas enviassem dinheiro diretamente umas às outras pela internet, sem um banco no meio aprovando cada pagamento.
A rede entrou no ar em janeiro de 2009. Satoshi trabalhou no software com os primeiros voluntários e se afastou por volta do fim de 2010. Ninguém provou publicamente quem é Satoshi, e o Bitcoin seguiu em frente sem o seu criador. O software é de código aberto, ou seja, qualquer pessoa pode ler o código, sugerir mudanças ou executá-lo.
Como funciona uma transação de Bitcoin
Pense no Bitcoin como um caderno público que todos podem ler, mas que ninguém consegue apagar às escondidas. Cada página se chama bloco, e as páginas são ligadas em ordem para formar a blockchain. O caderno não guarda nomes. Ele guarda endereços, que são longas sequências de letras e números, e quanto bitcoin cada um deles controla.
Quando você envia bitcoin, seu aplicativo de carteira cria uma mensagem que diz, na prática: "transfira este valor do meu endereço para aquele endereço". Ele assina a mensagem com a sua chave privada, um número secreto que prova que você tem permissão para gastar essas moedas. A mensagem é transmitida para a rede, e computadores chamados nós verificam se a assinatura é válida e se as moedas ainda não foram gastas.
Depois que o pagamento entra em um bloco, qualquer pessoa pode vê-lo. Cada novo bloco adicionado por cima torna mais difícil revertê-lo, e é por isso que as corretoras costumam esperar várias confirmações antes de considerar um depósito definitivo.
Para que serve a mineração
Novos blocos são criados pelos mineradores: computadores que competem para resolver um quebra-cabeça numérico difícil. Não existe atalho. A única forma de vencer é fazer uma quantidade enorme de tentativas, o que custa eletricidade e equipamentos especializados. Esse sistema se chama prova de trabalho (proof of work).
O primeiro minerador a encontrar uma resposta válida adiciona o próximo bloco e recebe uma recompensa: bitcoins recém-criados mais as taxas das transações incluídas naquele bloco. A rede ajusta a dificuldade do quebra-cabeça para que um novo bloco surja, em média, a cada 10 minutos, não importa quantos mineradores entrem.
Reescrever o histórico exigiria refazer todo esse trabalho mais rápido do que o resto da rede somado, então trapacear sai extremamente caro. Esse é o núcleo da segurança do Bitcoin.
A regra da oferta fixa
As regras do Bitcoin determinam que nunca existirão mais de 21 milhões de bitcoins. Novas moedas só entram em circulação por meio das recompensas de mineração, e essa recompensa é cortada pela metade aproximadamente a cada quatro anos, um evento conhecido como halving. Com o tempo, a emissão de novas moedas diminui até parar por completo.
Você não precisa comprar uma moeda inteira. Um bitcoin pode ser dividido em 100 milhões de unidades menores chamadas satoshis, então dá para guardar ou enviar valores pequenos.
Mudar o limite de 21 milhões exigiria um amplo acordo entre as pessoas que rodam o software do Bitcoin, algo considerado muito improvável. Essa oferta previsível é um dos grandes motivos pelos quais algumas pessoas comparam o Bitcoin ao ouro digital.
Para que as pessoas usam o Bitcoin
- Poupança de longo prazo. Algumas pessoas guardam bitcoin como uma pequena parte das suas economias, porque a oferta é limitada e nenhuma autoridade central pode criar mais.
- Envio de dinheiro entre países. O Bitcoin pode circular entre países sem transferência bancária, o que algumas pessoas acham útil quando o sistema bancário local é lento ou restrito.
- Pagamentos. Algumas lojas e serviços online o aceitam, e sistemas complementares como a Lightning Network buscam tornar pequenos pagamentos mais rápidos e baratos.
- Trading. Muita gente simplesmente compra e vende, apostando nas variações de preço. Para quem está começando, essa é a forma mais arriscada de usá-lo.
Os riscos que você precisa entender
- Grandes oscilações de preço. O preço do Bitcoin já caiu mais da metade em relação a um pico anterior várias vezes e pode se mover bruscamente em um único dia. Use apenas dinheiro que você pode se dar ao luxo de perder.
- Sem botão de desfazer. Um pagamento enviado para o endereço errado geralmente não pode ser revertido, e não existe central de atendimento para ligar.
- Perda de acesso. Se você perder suas chaves privadas ou sua frase de recuperação, suas moedas se vão para sempre. Se outra pessoa as obtiver, ela pode levar suas moedas.
- Golpes e ataques hackers. Esquemas falsos de investimento, sites de phishing e corretoras que quebraram já causaram grandes prejuízos. Desconfie de qualquer pessoa que prometa retornos fixos.
- Regras que mudam de país para país. As leis e o tratamento tributário variam muito, então verifique o que vale onde você mora.
Apenas para fins educacionais, não é recomendação financeira. Criptoativos são voláteis e você pode perder dinheiro.
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